Unidade II Capítulo 3 - Mesopotâmia Observe as imagens:
Você já ouviu falar sobre o código de Hamurábi?
Leitura Complementar:
Mesopotâmia
O que chamamos "Mesopotâmia" foi uma série de entidades
político-territoriais presentes no oriente médio, correspondendo
aproximadamente ao território do atual Iraque, existindo sob várias formas mais
ou menos independentes de 4000 a.c. até 539 a.c., portanto por mais
de 3 mil anos. Sua periodização pode ser divida em 5 partes: Uruk e o Período
Dinástico Antigo, o Império Acadiano e o Período Guti, o Império Neo-Sumério, a
Primeira Desagregação, o Império Babilônico e a Segunda Desagregação, e
finalmente o Império Neo-Assírio e o Império Neo-Babilônico.
Período Uruk
O primeiro período ganhou esse nome em razão da fundação da primeira
cidade conhecida da história, Uruk, no sul da Mesopotâmia. O período de Uruk,
que dura 1100 anos, de 4000 até 2900 a.c., é caracterizado principalmente
pelo surgimento da primeira escrita registrada, o cuneiforme, pelo
surgimento da irrigação em grande escala, e pelo fenômeno da urbanização, onde
populações espalhadas pelos campos começam a se concentrar em pequenas vilas,
embriões das futuras "Cidades-Estado", ou seja, centros urbanos que
governam um território rural à sua volta. O fenômeno da escrita também
separou a Mesopotâmia em dois grupos, distingüidos por sua linguagem: os
Sumérios, que falavam Sumério e escreviam em cuneiforme, e os Semitas, que
falavam várias línguas, dentre as quais o Aramaico e o Acadiano, e não possuíam
escrita.
Período Dinástico Antigo
O Período Dinástico Antigo se segue ao período de Uruk, e é
caracterizado pelo surgimento de várias outras cidades-estado que se alternam
na supremacia política e militar da Mesopotâmia, sendo elas, além da própria
Uruk, Ur, Lagash e Umma. Os governantes dessas cidades são nomeados pelos
títulos "Lugal", "Ensi", e "En", sendo que Lugal
(grande homem) era reservado ao governante da cidade dominante, e os outros
títulos à seus vassalos. Esse período também é caracterizado pelo refinamento
da escrita cuneiforme e pela descoberta do bronze, que revolucionou os mais
diversos campos, da agricultura à guerra, e pela difusão do uso da roda, e o
surgimento das primeiras carruagens. É dessa época também o épico de
Gilgamesh, que conta a história de um grande rei de Uruk, mais divino do que
humano.
O Império Acadiano e o Período Guti
Durante o último período de supremacia, o da cidade de Umma, um rei de
Akkad, Sargão (nome que possivelmente era um título, "rei legítimo"),
uma cidade da Mesopotâmia central, derrota Lugal-Zagesi, senhor de Umma, na
batalha de Uruk, e conquista a Mesopotâmia do sul, fundando o Império Acadiano.
Mais tarde, Sargão extendeu ainda mais seu império até os montes Zagros e o mar
mediterrâneo, incluindo a ilha de Kaptara (Chipre).
Durante seus 180 anos de existência, de 2334 a 2354 a.c, o Império
Acadiano avaçou muito a escultura e o comércio, mantendo comércio com terras
distantes, do atual Afeganistão até o atual Sudão. Na linguagem ocorreram
mudanças significativas, com influências maciças ocorrendo entre o Sumério e o
Acadiano, muitas vezes com empréstimo de palavras e, no caso do Sumério, do
próprio alfabeto.
O colapso do Império Acadiano veio da combinação de um rei fraco,
Shu-Durul, com a invasão dos Gutis, um povo originário dos montes Zagros. Os
Gutis não tinham escrita nem técnicas de irrigação ou agricultura, e durante
seus 50 anos de dominação supostamente destruíram o sistema de tabletes
administrativos e soltaram os animais em rebanhos nômades pela Mesopotâmia.
Logo os preços dos alimentos dispararam, e os Gutis foram expulsos sob o rei
Neo-Sumério, Ur-Nammu, em 2100 a.c..
O Império Neo-Sumério e o Primeiro Período de Desagregação
Com a expulsão dos Gutis em 1100 a.c., consolida-se efetivamente o
Império Neo-Sumério, que dura até 1940 a.c. Esse período é notável pelo
primeiro código legal conhecido, o Código de Ur-Nammu, uma mistura de texto
religioso e manual de jurisprudência (ou seja, contendo exemplos de casos e o
que decidir em cada caso). Nesse período também houve a primeira produção em
massa de textos, sobretudo o épico de Gilgamesh. A sociedade desse período
ainda é pouco conhecida, só é claro que haviam enormes multidões de
trabalhadores braçais que trabalhavam para o estado em grandes projetos, como
templos e canais de irrigação, mas esses trabalhadores ora pareciam ter alguma
mobilidade social, ora trabalhar sob compulsão, em troca somente de comida.
O período que se seguiu ao último rei Neo-Sumério, Ibbi-Sin, foi o
primeiro grande período de desagregação, onde a Mesopotâmia viu-se dividida: no
norte dominavam os Amoritas, um povo semita que invadiu a partir de sua terra
natal na atual Síria, e no sul os Elamitas, um povo de origem desconhecida, que
não faz parte dos grupos semita, mesopotâmico ou indo-ariano, que haviam conquistado
a cidade de Larsa. Os Amoritas, sediados na cidade da Babilônia,
conseguiram estabelecer sua dominância no reino de Hammurabi, que venceu os
exércitos elamitas de Larsa em 1715 a.c, fundando assim o Império Babilônico.
O Segundo Período de Desagregação
Muito pouco é conhecido a respeito do Império Babilônico após o reino de
Hammurabi. O único outro período conhecido é o de sua queda, durante o reinado
de Samsu-Ditana, em 1531 a.c., que marcou o início do Segundo Período de
Desagregação. Esse período durou até 934 a.c., e por quase seiscentos anos a
Mesopotâmia permaneceu dividida.
Após o saque da Babilônia pelos Hititas em 1531, os Cassitas, povo
indo-europeu de origem desconhecida que chegou à Mesopotâmia pelos montes
Zagros, expulsaram os Hititas e se firmaram como uma elite militar governante,
fundando o Império Cassita e extendendo seu domínio ao sul até o mar. Pelo
domínio do norte lutavam os Hititas, os Assírios e as dinastias Hurritas,
principalmente a dinastia Mitanni. Os "povos do mar", que residiam
próximos ao mediterrâneo, também fizeram diversas incursões à leste,
principalmente os Ugaritas e os Filisteus.
Império Neo Assírio e Império Neo-Babilônico
Em 934 a.c. ascende ao poder o Império Assírio com o rei Tiglath-Pileser
II. Durante quase duzentos anos até 744 a.c. os fortes reis assírios defendem
seu território com sucesso, contra incursões frequentes de Egípcios, Elamitas e
Arameus, este último um povo semítico vindo da atual divisa da Síria com a
Turquia. Em 744 a.c. toma posse o rei Tiglath-Pileser III, que pressionado pela
ameaça de rebeliões por todo o Império, faz grandes reformas políticas,
organiza o império num sistema de províncias que são tributadas tanto em
recursos como em homens para o serviço militar, e assim cria o primeiro
exército profissional conhecido da história. Isso possibilitou uma grande
expansão territorial, reconquistando o Levante (atual Israel e Palestina), a
Média (parte do atual Irã), a Anatólia central, até o atual Lago Tuz, e o sul
da atual Armênia, antiga Urartu, territórios que haviam sido conquistados pelo
seu antecessor Adad-Nirari II. Outros reis, como Sennacherib e Esarhaddon,
conquistaram a península do Sinai e o Egito, e Assurbanipal conquistou a
Arábia, tornando assim a Assíria a nação mais poderosa do mundo.
Durante o reino de Assurbanipal, contudo, vários de seus filhos e
generais agregaram muito poder e prestígio, e logo após a sua morte houve uma
grande guerra civil em torno de quem ocuparia o trono da Assíria. Aproveitando-se
do enfraquecimento severo dos exércitos assírios, Nabopolassar, um caldeu, um
povo semítico vizinho dos assírios, rebelou-se e tomou a Babilônia e o sul da
Mesopotâmia. Após consolidar seu poder passou o resto da vida combatendo os
exércitos assírios e expandido seu domínio, o Império Neo-Babilônico. Com seu
filho Nabucodonosor, o Império atingiu seu auge e incluiu praticamente todos os
domínios anteriormente pertencentes aos assírios. Ironicamente, foi um
assírio, o rei Nabonido, o último rei Neo-Babilônico, que perdeu a batalha de
Opis para Ciro, o Grande, encerrando assim efetivamente a independência
mesopotâmica.
BIBLIOGRAFIA
·OPPENHEIM, Adolph L. Ancient Mesopotamia: Portrait of a Dead Civilization
O atual território brasileiro foi povoado por homens entre 40 mil e 50 mil anos atrás. Os primeiros seres humanos que chegaram ao continente americano vieram da Ásia. Chegaram à América, provavelmente, após passarem pelo Estreito de Bering. Foram se espalhando pelo continente até chegarem ao sul e começarem a povoar o território brasileiro.
São os homens pré-históricos brasileiros os ancestrais dos índios que habitam até hoje nosso país.
Vestígios deixados pelos homens pré-históricos brasileiros
Existem atualmente vários sítios arqueológicos pré-históricos sendo estudados no Brasil. Os mais importantes ficam no interior do Piauí, na região de São Raimundo Nonato. Pesquisas coordenadas pela arqueóloga Niède Guidon, resultaram na descoberta de ossos de animais pré-históricos, artefatos de cerâmica, fragmentos de fogueira, machados de pedra e, principalmente, milhares de pinturas rupestres.
Os sambaquis, também conhecidos como concheiros, são excelentes fontes para o estudo da vida pré-histórica brasileira no litoral brasileiro. Os sambaquis foram formados durantes milhares de anos, através do acúmulo de conchas e resíduos descartados pelos homens. Entre uma camada e outra de conchas, encontram-se artefatos, ossos e diversos tipos de objetos pré-históricos de diferentes grupos humanos que habitaram uma mesma região.
Outro importante sítio arqueológico brasileiro fica na Caverna da Pedra Pintada, localizada no município de Monte Alegre (margem do rio Amazonas). Pesquisas realizadas na década de 1990 revelaram a vida de grupos humanos pré-históricos que habitaram a região por volta de 11 mil anos atrás. No local foram encontrados vestígios de fogueiras, pedaços de objetos de cerâmica, pinturas rupestres e pontas de lanças de pedras.
Regiões habitadas
Os homens da Pré-história espalharam-se por diversas áreas do território brasileiro. As descobertas arqueológicas apontam para grupos humanos que viveram em regiões da Amazônia, Piauí, litoral (principalmente dos estados de SP, SC, RJ e ES), região de Lagoa Santa (interior de Minas Gerais).
Resumo sobre a vida do homem pré-histórico no Brasil
Com base nas descobertas arqueológicas e estudos realizados, podemos ter uma ideia sobre como era a vida destes homens na Pré-História.
- Viviam da caça, pesca e coleta de frutos. Para caçar usavam machados e lanças de madeira com pontas de pedra afiadas. Os que habitavam a região litorânea também comiam grandes quantidades de frutos do mar.
- Usavam o fogo para cozinhar os alimentos e para se protegerem dos animais ferozes.
- Grande parte dos homens da pré-história das regiões interiores habitavam cavernas. Já os homens que viviam no litoral brasileiro fabricavam cabanas de madeira e palha para morar.
- Faziam recipientes de cerâmica para armazenar, principalmente, grãos e água.
- Faziam pinturas rupestres (em paredes de cavernas). Os desenhos representavam, principalmente, cenas de parto, relações sexuais, caça de animais, rituais e danças, contagem de objetos e outras atividades cotidianas. Usavam sangue de animais, carvão e minerais misturados em água para desenharem. A arte rupestre é uma das principais fontes de pesquisa da Pré-história no Brasil.
- Viviam em grupos (grandes famílias) com divisão de tarefas entre homens e mulheres. Os homens se dedicavam à caça, pesca e proteção do grupo. As mulheres cuidavam das crianças e preparavam o alimento.
- Algumas comunidades enterravam os mortos próximos aos locais onde moravam. Praticavam também rituais ligados funerários (ligados à morte).
- Em função das dificuldades da vida, doenças, ataques de animais e péssimas condições de higiene, as pessoas viviam pouco. A expectativa de vida ficava entre 25 e 30 anos.
- Tinham preferência por regiões próximas a rios e lagos devido a facilidade para obter água para beber, tomar banho e pescar.
Pinturas rupestres em sítio arqueológico de Monte Alegre (Pará): vestígios da pré-história brasileira na Amazônia.
Reflitam e opinem: o impacto causado no passado pelo domínio do fogo e da agricultura ( a revolução verde) pode ser comparada ao do advento da internet e da telefonia celular, atualmente, na vida da pessoas?
Esse vídeo fala sobre como os alunos e professores se apropriam das tecnologias para ajudar no conhecimento, relata também os desafios enfrentados pela educação proveniente do avanço tecnológico.